Votação do PL Antifacção expõe ausência de Silvye Alves em decisão que dividiu bancadas
Parlamentar de Goiás aparece sem voto registrado no projeto aprovado na Câmara

A votação do PL 5582/2025, conhecido como PL Antifacção ou Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, mobilizou a Câmara dos Deputados nesta semana e colocou em destaque a atuação de parlamentares de todas as regiões do país. Entre eles, a deputada federal Silvye Alves (União Brasil-GO), que aparece como ausente ou sem registro de voto no painel da Casa. O texto-base foi aprovado no plenário na noite de 18 de novembro, após semanas de discussões e ajustes na redação final.
O painel eletrônico da Câmara registrou 370 votos favoráveis e 110 contrários ao projeto. Entre os deputados de Goiás, 14 votaram a favor e dois votaram contra, segundo levantamento divulgado pelo Jornal Opção e Portal Goiás. Silvye Alves consta no sistema como “ausente”, não aparecendo entre os nomes que se posicionaram a favor ou contra a proposição.
A ausência registrada também gerou repercussão negativa entre eleitores de Aparecida de Goiânia, onde a deputada recebeu votação expressiva. A aproximação dela com setores da direita goiana passou a ser mencionada por parte do eleitorado como fator de desgaste, levantando questionamentos sobre sua atuação e sobre possíveis reflexos desse cenário em uma futura disputa pela reeleição.
O que diz o projeto aprovado
O PL Antifacção altera dispositivos relacionados ao enfrentamento de organizações criminosas no país. A versão aprovada prevê mudanças em pontos como penas, regime de apreensão de bens e destinação de valores confiscados durante operações policiais. Um dos trechos que gerou maior debate trata da transferência dos recursos arrecadados com a venda de bens apreendidos para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Inicialmente, integrantes do governo federal defendiam que parte desses valores fosse direcionada diretamente à Polícia Federal.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou à imprensa nacional que alterações no projeto poderiam impactar a destinação dos recursos utilizados pela corporação. Parlamentares da base governista também afirmaram, em entrevistas e notas oficiais, que o texto final se distanciou da versão encaminhada pelo Executivo.
O relator do projeto, deputado Guilherme Derrite (PL-SP), apresentou sucessivas mudanças antes da votação final. A Câmara rejeitou ainda um destaque que equiparava organizações criminosas ao terrorismo, ponto que havia sido defendido por parte da oposição.
Após a aprovação no plenário, o projeto seguiu para análise no Senado Federal. O relator designado é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que deve conduzir a etapa seguinte de debates e eventuais ajustes no texto.
Posição da deputada em outras votações recentes
Embora o foco dos debates atuais esteja centrado no PL Antifacção, a atuação recente de Silvye Alves também inclui participação em outra votação que repercutiu nacionalmente. Em setembro, a deputada havia registrado voto favorável à proposta conhecida como PEC da Blindagem, analisada pela Câmara no dia 17 daquele mês.
Após a divulgação do painel de votação, Silvye publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que não pretendia votar daquela forma. No registro divulgado pelo Congresso em Foco, a deputada declarou: “Eu cometi um erro gravíssimo na votação da PEC da Blindagem […] Eu cedi à pressão e não tive força naquele momento para fazer o correto”.
A repercussão do episódio fez com que o voto se tornasse um dos assuntos mais comentados entre eleitores goianos à época. No entanto, o tema perdeu centralidade diante da tramitação do PL Antifacção, consideravelmente mais amplo e diretamente ligado ao debate nacional sobre segurança pública.
Até o momento, não houve manifestação pública da deputada sobre a ausência na sessão de 18 de novembro, e o registro permanece disponível no painel oficial da Câmara dos Deputados.

