Mulheres e jovens concentram alta no consumo de álcool e drogas no Brasil
Levantamento indica maior vulnerabilidade feminina e alerta para riscos ao desenvolvimento cerebral de adolescentes

Dados recentes do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), da Universidade Federal de São Paulo, revelam aumento no consumo de álcool e drogas ilícitas entre jovens no Brasil, com crescimento mais acentuado entre mulheres.
As informações reacendem o debate sobre a eficácia das políticas de prevenção no Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro.
Segundo o estudo, a expansão no uso, na experimentação e no consumo recente concentra-se no público feminino.
Para a neuropsicóloga Anna Flávia Trindade de Freitas, da Clínica Vittá, fatores biológicos contribuem para impactos mais intensos nas mulheres, como composição corporal, metabolismo hepático, influência hormonal e progressão mais rápida para a dependência.
“A mudança já aparece no atendimento clínico. O organismo feminino reage de forma diferente às substâncias, o que amplia os riscos”, afirma.
Cérebro em formação aumenta vulnerabilidade
A pesquisa também mostra que adolescentes procuram serviços de emergência após o uso de substâncias com frequência maior que a dos adultos. A explicação está no processo de amadurecimento cerebral.
De acordo com a especialista, o córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos e pela tomada de decisões, ainda não está totalmente desenvolvido nessa fase. O consumo precoce interfere na memória, na atenção e na regulação emocional, o que eleva a exposição a comportamentos de risco.
“Nesses casos, a internação não ocorre apenas por excesso de dose, mas pela fragilidade biológica do cérebro em desenvolvimento”, explica.
Dependência é reconhecida como doença
A dependência química é classificada como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde. A entidade alerta para os impactos sociais, econômicos e sanitários do uso de substâncias lícitas e ilícitas.
No Brasil, o alcoolismo apresenta caráter progressivo, marcado por consumo compulsivo, tolerância crescente e sintomas de abstinência. Além da predisposição genética, fatores emocionais, culturais e o fácil acesso ao álcool influenciam o desenvolvimento da dependência.
Números preocupam autoridades
Dados divulgados entre 2023 e 2025 indicam que o consumo abusivo de álcool passou de 18,4% para 20,8% entre 2021 e 2023. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz, publicado em 2024, aponta que o álcool causa cerca de 12 mortes por hora no país.
Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística também mostram aumento na experimentação de drogas antes dos 14 anos.
Em contrapartida, pesquisas de 2025 indicam crescimento na taxa de abstenção: 64% dos brasileiros afirmaram não ter consumido bebidas alcoólicas no período, percentual impulsionado por jovens entre 18 e 34 anos.
Álcool como resposta à ansiedade
Outro comportamento frequente é o uso do álcool para reduzir a timidez e a ansiedade social. No curto prazo, a substância promove relaxamento ao atuar sobre o neurotransmissor




