Rebelião – antes de mais nada, uma violência política

Posted On 05 jan 2018
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A causa das rebeliões é a falta de estrutura dos presídios brasileiros - medidas políticas e paliativas do tipo "varredura" por ministra do Supremo Tribunal federal (STF) é uma falácia que visa apenas mostrar a presença do Estado - que falha em todas as suas ações no sentido de evitar essas tragédias.

A causa das rebeliões é a falta de estrutura dos presídios brasileiros – medidas políticas e paliativas do tipo “varredura” por ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) é uma falácia que visa apenas mostrar a presença do Estado – que falha em todas as suas ações no sentido de evitar esse tipo tragédia.

Festa da oposição, o motim na maior cadeia do Estado governado por Marconi Perillo (PSDB) foi capitalizado politicamente por Ronaldo Caiado (DEM) que denunciou o fato como “tragédia anunciada”.

Zé Elinton, do alto de sua incompetência, fez um muxoxo e disse que Caiado está se aproveitando da desgraça para fazer política. Nada mais justo – a função do estado é dar segurança, também ao preso. E aqui fica uma pergunta para o Zé: o que eles fizeram com os R$ 32 milhões destinados pelo Governo Federal para resolver parte dos problemas no presídio Odenir Guimarães?

Ninguém me tira da cabeça que não haja um movimento de governos estaduais no sentido de sucatear o sistema prisional brasileiro para que, depois de tungados, sejam privatizados.

Em Goiás o caso é emblemático, a Umanizzare, empresa que surgiu na terra de Carlinhos Cachoeira (Anápolis) e tido como patrono de Marconi Perillo, (vide Operação Monte Carlo) – a empresa se diz especialista em administração penitenciária e doou para a campanha do peessedebista e seu vice, José Eliton – segundo informa o site noticioso Goiás Real.

No entanto, no Amazonas, onde essa empresa detém o direito de explorar economicamente o sistema carcerário, houve 56 mortes na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, o (Compaj). Um verdadeiro massacre publicou o G1. A revolta dos presos se deu em parte por causa da privatização do sistema, informa opositores do então governo do Amazonas e o sindicato dos agentes prisionais daquele Estado.

A mídia nacional e local insiste em dizer que essas rebeliões são comandadas por facções criminosas que desafiam a lei e a ordem no Brasil, mas em nenhum momento são apresentadas provas que corroborem com essa mania da imprensa. Apenas dizem que “uma fonte” disse isso ou aquilo, mas nada, absolutamente nada é apresentado como fonte documentada. O próprio Mistério Público (MP) discorda dessa linha de raciocínio da imprensa brasileira que diz que seja o PCC ou CV que esteja por trás, articulando essas rebeliões. Na verdade o sistema prisional brasileiro se tornou uma masmorra medieval, basta lembrar-se de Pedrinhas no Maranhão. A condição sub-humana dos presídios é sempre o estopim do inferno.

Um dado científico: nos EUA, país com o qual gostamos de nos comparar, há mais de 3,2 milhões de presos – a maior população carcerária do planeta. Há casos de pessoas que pegaram perpétua por roubar blusão de couro – não obstante seja isso uma realidade, o país é um dos mais violentos do mundo. Uma prova de que o encarceramento não diminui o problema social do crime. A solução para o caso brasileiro está na aplicação adequada de recursos – o caso dos R$ 32 milhões que Marconi deu fim poderia ter evitado a tragédia.

Então o que vamos fazer, vamos nos unir nesse momento de crise anunciada à Marconi como se isso não pudesse ser imputado ao seu governo, como se nós fossemos imbecis? Cabe ao governo do Estado a responsabilidade da gestão dos presídios.

O discurso político da crise do sistema de segurança é oportuno e o senador Ronaldo Caiado é um dos instrumentos sociais legitimados para fazer frente a isso ao criticar o governador que quer tornar o problema que ele criou, em assunto de responsabilidade nacional e não só dele. Isso equivale a socializar com a União os problemas que ele têm causado, quiça para forçar privatização do sistema carcerário em Goiás.

Waldemar Rêgo – Jornalista

waldemarregojr@gmail.com

 

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