Os dois ladrões

Posted On 10 abr 2017
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IMAGEM - EDITORIAL
Do maior ladrão de Goiás, preso em caldas Novas – o De Menor – até o mais alto posto que se possa cobiçar no País, o de Presidente da República, todos parecem estar contaminados pela doença da falta de caráter – Michel Temer que o diga. Temer está numa condição que é a pior e, ao mesmo tempo, a mais desejada de um malandro, que pego, sabe que nada pode acontecer com ele. Para o bem do País é melhor que ele fique.

Muitos querem culpar os partidos como se eles tivessem culpa naquilo que fazem seus membros. Na verdade partido não rouba, não corrompe e não é corrompido. Quem faz tais coisas são as pessoas.

Os partidos, apelidados em primeira mão de “vermelhos” pelo jornalista Waldemar Rêgo, foram sobrecarregados pelas críticas, as mais absurdas possíveis, posto que estivessem em evidência. Uma vez que o PT detinha o poder político máximo – o que o fez vitrine de toda sorte de ofensas principalmente de uma direita raivosa que quer por quer que o partido seja o culpado pelas políticas públicas aplicadas de forma contundente pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff – o partido subverteu sua própria razão de ser e corrompeu a magnitude de sua aura exatamente porque fez o que todos fazem, sem exceção, com o fim de atingir o poder. Os meios não justificam os fins.

O ódio às esquerdas possui raiz na luta de classes e o PT incendiou esse discurso na direita liberal com suas políticas de soerguimento social dos pobres. Ao dar casa, educação e emprego para uma sociedade periférica que jamais teria condições de alcançar esses bens universais do direito humano se não fosse mediante a intervenção de um governo através da transferência de renda – o PT do Lula e da Dilma misturou as sociedades e com isso surge o conflito. Um exemplo típico são as vagas disputadas no campo do trabalhismo intelectual – oportunizado pelo acesso do pobre ao ensino superior. Tirar de quem tem para dar a quem não tinha – esse foi o maior erro do PT – fazer políticas sociais em defesa de quem não tinha defesa e nunca teve contra as elites.

O assunto no remete ao Pobre de Direita – aquele ser social que, alienado, não sabe nem que não sabe ao defender e argumentar as práticas políticas de direita que o excluem dos processos socioeconômicos. Tal figura social, sequer percebe sua pré-condição lacaia frente aos rumos tomados por outros sobre seu próprio futuro. Essa figura de verde e amarelo foi às ruas e bateu panela contra aquilo e herdou isso: Michel Temer com todos os seus sequazes. Tardiamente reconhece-se que o mal não está nas siglas e nem nas ideologias, mas no caráter dos heróis que elegemos.

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