O que é arte?

Posted On 04 out 2017
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POLÊMICA

POLÊMICA

Para ser arte, o exposto deve romper paradigmas, nesse sentido quais paradigmas estão sendo rompidos na apresentação dessa performance exibida no Museu de Arte Moderna (MAM)?

O nu masculino fora de seu contexto – que seria entre quatro paredes e, se mostrado para outro, que seja para um adulto – nos coloca em choque.

O rótulo “nu” está estigmatizado pelo sexismo em virtude da cultura pudica que na verdade é uma hipocrisia moderna e também histórica, principalmente quando envolve crianças.

Da VI Bienal de 1961 pra cá, muita coisa aconteceu depois de Lygia Clark, mas sua obra permanece imponente e interativa, reveladora e orgânica e acima de tudo participativa na medida em que, para que funcione como arte, “Os Bichos” necessitam da interatividade e nessa interatividade é  que o bicho pega.

Ora, a reinterpretação da obra de Lygia – conceitualmente orgânica sem o ser de verdade, pois lhe falta à carne e o osso no frio do metal de suas obras – sai do campo contemplativo e subjetivo para se encontrar dentro do palpável em que o corpo, como se fosse um origami com suas dobras, é explorado pelo o coreógrafo Wagner Schwartz.

O fato é que seu corpo, com suas dobras, se oferece a um público para uma interatividade que não está ao alcance de mentes revestidas pela moralidade hipócrita de uma sociedade atrasada pelo pudor e preconceitos em que a nudez seja apenas parte de um simbolismo sexual.

Quanto à criança tocar num homem nu?

Ora, ora. E se uma criança tocasse o Davi de Michelangelo o que diriam os puritanos?

Mas se trouxermos isso para a arte orgânica, esse tocar o corpo quanto objeto de arte de forma pública e não entre “quatro paredes”, isso causaria o que vem causando, o repúdio.  É a ruptura do paradigma e a abordagem inusitada na forma de ver a obra Lygia Clark que tomou outra dimensão nessa mostra do MAM. Pra que serviria a arte se não para provocar e desopercular a velha moral que mascara nossa hipocrisia sexual, ainda que nada disso seja tratado na performance de Wagner Schwartz.

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