O escravo

Posted On 29 mar 2017
By :
Comment: Off

Trabalhar por 49 anos para se aposentar sem um plano de saúde que possa assisti-lo quando – como máquina – pifar; ser tributado em tudo que consome em quase 40%, até mesmo em gêneros de primeira necessidade; pagar juros de 484% ao ano para bancos que lucram em média R$ 5 bilhões no mesmo período; não poder sair de casa para ir ao boteco da esquina sob pena de levar um tiro e ainda ter andar de cabeça baixa na presença da polícia; confiar o filho a um sistema educacional absolutamente falido feito unicamente para manter o sistema de classes que se resume em dividir a sociedade entre pobres burros e ricos inteligentes…
Poderíamos elencar ainda inúmeras ações de governo que empurram o trabalhador para a condição de escravo. Como se não bastasse, foi aprovada e deve ser sancionada, a lei 4.302/1998. É a terceirização da mão de obra das atividades fins. Ou seja, uma oficina pode terceirizar o serviço de um mecânico e pode representar a quase extinção dos concursos públicos uma vez que a terceirização de mão de obra para os governos –professores e servidores por exemplo.
A CUT soltou nota sobre a lei para informar que “O trabalhador temporário não tem direito à multa de 40% sobre o FGTS e aviso prévio, quando da rescisão do contrato de trabalho (…) Não se aplicam a ele os demais direitos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Por exemplo: regulamentação da jornada noturna; adicional de insalubridade; adicional de periculosidade; proteção à mulher; proteção ao menor etc.”
Na verdade essa lei vem reescrever o papel do antigo gato, pessoa que alicia trabalhadores para trabalhar de forma escravizada – costume brasileiro do pós-escravidão que perdura até hoje nos latifúndios.
Com isso o “gato” poderá trabalhar dentro da lei. Ou seja, escravizar aquele que não tem defesa contra o sistema de exclusão social no Brasil. Trata-se do amolecimento das leis trabalhistas para beneficiar grandes corporações.

About the Author