O enigma de Lúcia Vânia – ARTIGO

Posted On 04 out 2017
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Lucia Vânia (PSB) está no centro de um enigma e de um dilema: ser ou não ser e decifra-me ou devoro-te.

Lucia Vânia (PSB) está no centro de um enigma e de um dilema: ser ou não ser e decifra-me ou devoro-te.

O dilema na frase sheikspieriana dita em Hamlet calha bem à senadora que ainda não sabe onde estacionar sua candidatura. De um lado ela pode fechar com Ronaldo Caiado (DEM) e, quem sabe, dependendo das negociações com o senador, absorver a base eleitoral do Democratas uma vez que Caiado possua imensa estrutura política que, se somada a do PSB poderia dar-lhe uma eleição líquida e certa – essa base é a mesma que foi adquirida do PMDB de Iris Rezende – a mesma base que conduziu o deputado federal ao Senado.

Como disse Hamlet: “será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e flechas com que a fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provocações e em luta pôr-lhes fim?” A senadora não é do tipo que parte para o confronto.

Já o enigma da esfinge decifrado por Édipo custaria à vida do jovem grego assim como a vida política de Lúcia Vânia, caso ela não saiba desvendar o futuro que já a espreme com a força do tempo. 2018 está às portas do PSB e ela espera com a paciência de uma velha guerreira o momento certo para ir ao ataque. Essa espera tem nome, chama-se Marconi Perillo (PSDB).

Não só no enigma, mas também no dilema, Lúcia Vânia tem por entrave o desfecho das intenções do governador que costura sua candidatura à presidência pelo seu partido – desejo travado pelo bólido político chamado João Dória, prefeito de São Paulo que agora se acha no direito de ser “ô candidato”. Dória é um desses caroços que aparecem do nada – a la Collor – e requer quimioterapia para ser desativado. Cria de Geraldo Alckmin – governador de São Paulo – Dória tornou-se um nó górdio que só será desatado na base da espada, ou mesmo da faca.

Soma-se ao dilema e ao enigma de Lúcia Vânia dois problemas; Wilder Morais (PP) e Vilmar Rocha (PSD).  O primeiro problema é Wilder, que nunca teve um voto sequer na vida, mas é atuante no Senado. Empresário do ramo da construção civil, ele entrou na política pela porta da cozinha, aberta pela aberração da lei eleitoral que permite a nomeação de suplentes ao Senado. Cassado Demóstenes Torres, ele assumiu a vaga. Sem história política, seu nome é tido como tiro no escuro. Mas possui mandato e é legítima sua candidatura em 2018. Atualmente ele tem acenado para a oposição por já ter percebido que a base  marconista é fria e racional.

O segundo problema é Vilmar Rocha. Ele sabe que é agora ou nunca. Com 1.012.496 votos, (é voto pra chuchu) e ainda em pleno vigor eleitoral, ele sabe que depois destas eleições o tempo deverá fechar muitas portas, posto que o tempo seja um roedor de histórias de políticos sem mandato. Se ele não disputar e ganhar as próximas eleições, será conduzido como um mamute para o ostracismo.

Se Marconi não emplacar sua carroça em Brasília ele será candidato ao Senado e isso fecha uma porta, fecha uma vaga na base do governo e quem teria maior capilaridade eleitoral, Lúcia, Wilder ou Vilmar? Disparada, Lúcia não pode ser subestimada, pois obteve 1.496.559 votos, isso há sete anos atrás (também é voto pra chuchu).

Nesse sentido ela levaria uma vantagem maciça contra Vilmar Rocha de 484.063 votos – dados com base nas últimas eleições disputadas por ambos. Na balança isso possui um peso muito grande, fora que ela não tem seu nome embolado na escrotidão política que envolve boa parte dos senadores com a Operação Lava-jato.

Pesa contra ela o ter abandonado o ninho tucano por insatisfações com a cúpula do partido em Brasília e escusado, Marconi lavou as mãos sobre o assunto.

Resta de tudo que, de posse de números absolutos auferidos por pesquisas internas – caso as tenha feito – Lúcia Vânia deve ter se deparado com a triste realidade: “o marconismo chegou ao fim por fadiga eleitoral” e disputar numa campanha que irá degringolar exatamente no meio, é perigoso. Porque no meio da campanha, se o carro quebra, a base se esfacela e o apoio não vem. E ela sabe que, por bonitinho que seja, José Eliton, ele é um neófito; é outro também que nunca teve um só voto na vida, portanto um risco, uma incógnita. Mas equilibrada como é, ela não deve gostar de dilemas, enigmas e incógnitas, sua decisão deverá ser a de seguir o velho caminho da lógica – a opinião pública – e essa opinião indica Ronaldo Caiado como futuro governador de Goiás.

Waldemar Rêgo – jornalista

waldemarregojr@gmail.com

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