Estudante que matou dois alunos em escola de Goiânia sofria bullying

RENAN CASTRO

O estudante que atirou e matou dois alunos e feriu outros quatro no Colégio Goyases, hoje (20), em Goiânia, sofria bullying todos os dias na escola. Localizada no Conjunto Riviera, área nobre da capital, a instituição de ensino particular se preparava para liberar os alunos, por volta das 11h30, quando um dos estudantes, filho de policiais militares, sacou uma arma ponto 40 e disparou contra os colegas do 8º ano.

A Polícia Militar foi acionada e, rapidamente, o local ficou cercado por curiosos, imprensa e equipes de resgate que chegavam por terra e também pelo ar com o Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer) da PM. A comoção tomou conta de quem estava na escola e a correria para salvar as vítimas foi intensa. Três vítimas baleadas foram encaminhadas para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e outra para o Hospital de Acidentados. Os feridos são Hyago, Marcela, Lara e Isadora.

O atirador foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai). Depois de ter sido levado ao IML para fazer exame de corpo de delito retornou para a Depai.

Atirador foi apreendido após matar e ferir colegas (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Atirador foi apreendido após matar e ferir colegas (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

“Ele saiu dando tiro em todo mundo da sala. Eu estava perto e segurei na mão da minha amiga e fui à polícia. Eu não sabia o que fazer”, contou uma adolescente aos prantos, sentada na calçada de frente a escola, à TV Anhanguera.

Um aluno que estudava com o atirador, afirmou que ele era sofria bullying constantemente. “O pessoal chamava ele de fedorento pois não usa desodorante. No intervalo da aula, ele sacou a arma da mochila e começou a atirar. Ele não escolheu alvo. Aí todo mundo saiu correndo”, revelou o estudante.

A tragédia ainda poderia ter sido maior. Segundo a PM, o atirador iria carregar novamente a arma após o cartucho descarregar, mas um dos professores conseguiu contê-lo.

Os dois alunos mortos são João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, que morreram na hora.

João Pedro Calembo morreu na hora após ser atingido pelos disparos (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

João Pedro Calembo morreu na hora após ser atingido pelos disparos (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Dados

De acordo com o terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, um em cada dez estudantes são vítimas de bulliyng nas escolas do Brasil. Esses adolescentes sofrem agressões físicas ou psicológicas. As ofensas são piadas e boatos maldosos e vão até a exclusão propositalmente pelos colegas.

Ainda assim, em comparação com os outos países avaliados, o Brasil tem os menores “índices de exposição ao bullying”. O País aparece na 43ª posição em um ranking com 53 nações.

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  1. Bianca

    Como qualquer um pode entrar em uma escola, como podemos nos sentir seguros? Tanto funcionários quanto os alunos corremos risco com a falta de vigilância em nossa cidade! Precisamos de formas de evitar isto, tal como a monitorização de quem entra e sai que pode ser feita por catracas eletrônicas. Identificando assim quer indivíduo que deseja entrar.