A queda de Lula e a desestabilização da política na America Latina

Posted On 25 jan 2018
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A politização da justiça enquadrou Lula. Não é preciso provas, mas sim o que pensa o atual quadro da da magistratura brasileira. É a pedagogia da justiça em sua máxima expressão - condenar sem provas.

A politização da justiça enquadrou Lula. Não é preciso provas, mas sim o que pensa o atual quadro da da magistratura brasileira. É a pedagogia da justiça em em sua expressão máxima – condenar sem provas.

Derrubar Lula via Lawfere implica redirecionar, ou melhor, consumar a hegemonia do Tea party para a America Latina.

Nesse arremedo de nação ao qual estamos submetidos, esquece-se que o crime já é uma alternativa social produzida pela ausência de Estado – quando falta Estado qualquer outra coisa assume a condição de governo, posto que, segundo está implícito na literatura da filósofa Hannah Arendt, não há vácuo de poder – alguma coisa sempre irá assumir tal vacância, e a violência é a expressão máxima do poder, principalmente quando os governos se ausentam de sua função precípua que é a violência legitimada pelo estado de direito.

Mas o que teria em comum o caso Lula e violência?

Simples: na ausência de um Estado democrático de direito em que as oportunidades seriam iguais ou próximas disso, a parte estagnada da sociedade – os excluídos, que são potências adormecidas – em algum momento se tornará disruptiva. Essa parcela da sociedade entrará em choque contra aquela que exerce o poder pela violência legitimada pelo então chamado aqui de Lawfere – a lei injusta – ou quando essa legitimidade pende para os interesses plutocráticos de grupos que formam lobby – que é o que está acontecendo hoje no Brasil. O golpe é fruto de um lobby externo assim como em vários países da America Central e do Sul.

Está claro para a literatura política, jornalística e sociológica, que está em curso no Brasil (via golpe pela lei) uma retomada da hegemonia da direita brasileira após 12 anos de um modelo de governo com base no resgate social. O País jamais obteve tantos dividendos como na gestão do petismo. Embora o PT não represente mais sua profissão de fé, seu avanço nas questões sociais é inegável. E aqui vale ressaltar que, para governar, o PT teve que se corromper ao modo político brasileiro dominado pelas oligarquias – a mosca do poder picou o partido e ele apodreceu.

A indecente falta de legitimidade do governo de Michel Temer, o indecente envolvimento do presidente com o que há de pior na política brasileira para uma suposta governabilidade que serviria de ponte – a ponte de FHC – até as eleições de 2018, onde supostamente haveria uma passada de régua no estado de governança – na verdade transformou-se num governo de imposição das velhas e conhecidas oligarquias golpistas que destroçaram o País desde Deodoro da Fonseca até hoje unicamente para fazer prevalecer suas agendas. As reformas trabalhista, previdenciária e o desmantelamento do poder adquirido pela parte baixa da sociedade brasileira – a saber, os que foram às faculdades via bolsa de estudos; os usufrutuários do Minha Casa Minha Vida; os 25 milhões de brasileiros que saíram da linha de pobreza absurda – isso para ficar só aqui, sem relatar que o Brasil passou a ser a sexta maior economia do mundo superando até mesmo o Reino Unido, começou a incomodar a ideia de grandeza que se avizinhava ao Brasil. Aqui vale lembrar que a primeira guerra mundial teve cunho também no crescente crescimento da Alemanha que começou a incomodar os grandes impérios da época – Reino Unido e França.

Algo tinha que ser feito no Brasil, e foi feito. O impeachment de Dilma Rousseff pode ser entendido como uma orquestração multinacional para a corrosão de seu modo de governo – o de esquerda. Dados econômicos mostram que houve uma mixórdia política no País. Não existem evidências concretas de que houve uma conspiração contra o governo de Dilma, mas os dados denunciados pelo Wikileaks dão conta que, sim, houve espionagem na Petrobras – raiz e espinha dorsal do golpe articulado nas sombras por Michel Temer – o oligarca dos oligarcas.

Uma prova desse discurso que aqui vai como pretexto conspiratório, possui base em matéria do The Guardian publicada em junho de 2016 em que o MBL teria recebido apoio financeiro e intelectual dos bilionários irmãos Koch – liberais americanos empenhados em desestabilizar economias mundo afora. Isso foi largamente discutido pelo professor Armando Boito da Unicamp.

Hoje Lula será condenado, isso representa que o modo de se fazer política das grandes nações continua o mesmo com relação aos países de terceiro mundo – países pobres que são na verdade espólio econômico e reserva natural. A forma de domínio dos velhos impérios nunca foi tão evidente e tão devastador como agora.

Waldemar Rêgo – Jornalista

waldemarregojr@gmail.com

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